quinta-feira, 28 de junho de 2012

Havia passado um tempo desde a ultima vez que o vi. Afinal, aprendi a conviver sem a presença dele, acho que acabei superando. Não, superado não, talvez acostumado. E não entendi porque depois de tanto tempo, ele resolveu me encontrar. Eu sabia que isso dificultaria as coisas para mim depois, mas às vezes sou irracional demais. Enquanto esperava sentada em uma mesinha dentro de uma lanchonete, à noite, pensava em como as coisas haviam mudado. Eu havia cortado meu cabelo, estava diferente, mais confiante, mais dura, talvez até mais atraente. A gente fica assim depois de uma decepção, acaba mudando um pouco.
Vi quando ele entrou e procurou um rosto conhecido entre as pessoas. Ele, ao contrário de mim, não havia mudado. Estava com o mesmo jeito único de sempre. Estava bem até, com uma aparência boa, apesar da expressão apática. Me encontrou e percebi seu leve sorriso no rosto. Pousei a xícara de café na mesa enquanto ele se aproximava, me preparando para o baque seguinte. Olhá-lo vindo em minha direção já não era fácil, principalmente depois de tanto tempo, principalmente agora que eu já estava conseguindo seguir a vida. Meu coração acelerou involuntariamente, senti meu estomago apertar, minha garganta se fechou. Eu não deixaria me abalar agora, não depois de tudo pelo que passei.
- Oi. - Disse eu, tentando controlar o tom da voz.
- Oi... Você parece muito bem, como tem passado?
- Muito bem - menti. - Digo o mesmo de você... Afinal, você cumpriu o acordo. Pensei que não o faria depois de tanto tempo. Pensei que nem lembraria.
- De jeito nenhum. E não pensei o mesmo de você. Sabia que te encontraria como o combinado. - Disse ele de um modo afável. - Sabe, não sei qual foi o objetivo desse acordo... Nos encontrarmos depois de 2 anos desde que havíamos rompido? Não é um tipo de coisa que faz sentido, e nós nunca fizemos esse tipo mesmo. - Ele sorriu, me desconcertando um pouco.
- Isso é verdade. Acho que o objetivo era ver o que tinha virado a vida de cada um... Como havíamos nos saído depois desse tempo. Faz tanto tempo e mesmo assim parece que se passou apenas alguns dias olhando você agora, mais uma vez. - Eu estava lutando para parecer razoável, inteira. - Comece você, como está sua vida? Achou alguém especial? - Dei um sorriso simpático, apesar da dor que sentia por dentro.
Ele bagunçou o cabelo, parecendo pouco envergonhado. Ele tinha cabelos castanho-escuros, da cor de seus olhos. Sua feição era de uma beleza incrível. Seu sorriso ainda mexia comigo. E seu olhar, sempre tão alegre, espontâneo, sempre tão esplêndido.
- Para falar a verdade, no começo foi difícil superar a sua perda. Não lembro o que aconteceu, mas sei que me arrependi logo depois de terminarmos. - Agora sua expressão era séria - Mas você sabe, sempre fui muito orgulhoso. Resolvi tentar seguir em frente, viajei, conheci lugares, pessoas. Eu sofri muito até conseguir me restabelecer. Você foi muito especial para mim. Eu deveria ter ido atrás de você no  mesmo instante em que te deixei, mas sabia que assim seria melhor para você. Você é o tipo de pessoa que merece o melhor que houver, e eu não era esse cara. Você merecia alguém melhor, com certeza - senti que ele se esforçava para não desmoronar também, mas deu um sorriso - Agora estou melhor. Conheci alguém. Não será nunca como foi com você, mas ela está me fazendo feliz agora.
Senti um golpe no peito, mesmo sabendo que não fazia sentido, afinal, não tínhamos nada mais há muito tempo. Era bom que ele tenha encontrado alguém que o fizesse feliz. Mesmo assim, a ideia me atormentava. Não conseguia imaginá-lo com outra pessoa, alguém o abraçando, deitando-se com ele, o fazendo sorrir como eu costumava fazer. Agora me sentia totalmente fragilizada, principalmente porque ele havia superado tão bem, estava com alguém, enquanto eu ainda sentia dor, enquanto eu estava sozinha ainda. Como sou fraca!
- É difícil ouvir isso. Não vou mentir, acho que eu sofri muito mais com sua perda. Para falar a verdade, às vezes ainda sofro. - Eu senti minha visão embaçar com as lágrimas, mas as contive - Nunca conheci, e acho que não vá conhecer, alguém que me fará tão bem quanto você me fez. Ninguém pode substituir o que eu sentia por você. Acho que isso ficará para sempre em mim, acho que não foi igual para nós dois. Mas o que isso importa agora? Que bom que você achou alguém que o faz feliz, você está seguindo sua vida... Coisa que eu deveria fazer. Aliás, coisa que eu fiz, mas não tão bem quanto você. Mas não se preocupe comigo, eu vou me sair bem. Consegui um emprego melhor e agora estou empenhada nisso, recuperei o contato com meus pais... Estou em processo de renascimento. Agora, acredito que eu seja outra pessoa. Estou mais madura, mais segura de mim. Aprendi da pior forma, mas aprendi. Uma hora a gente tem que esquecer, superar. Nunca te esqueci, nunca deixei de te amar, mas agora isso não faz mais diferença. Guardo apenas suas lembranças boas. Você, apesar de tudo, foi bom para mim. Não temos mais o que conversar, cada um tem a sua vida, e espero que você tenha sucesso. Quem sabe não nos esbarramos por aí um dia... - esbocei um meio sorriso, mas já não podia conter as lágrimas. Tomei um último gole de café na xícara e me ajeitei para ir embora - Você merece o melhor também, apesar de não achar isso. Seja você, como sempre foi, e conseguirá tudo o que quiser. Acho que essa é nossa despedida definitiva, adeus, então...
Levantei-me e saí, sem dizer mais nada. Eu sabia que nunca mais o veria, e isso contorceu meu coração mais uma vez. O que restava agora? Nada. Apenas eu, minha dor e minha solidão.
Eu perdi o amor da minha vida e não há mais nada que se possa fazer sobre isso.

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